Nossa Senhora das Necessidades: a romaria que foi grande e que não quer morrer



Este azulejo da fábrica "Aleluia", de Aveiro, está hoje sem o sombreamento das árvores que as tempestades do início do ano obrigaram a cortar mas continua a indicar o caminho para a igreja do Vale do Grou, casa de uma Nossa Senhora das Necessidades que não tem a graça de ser orago de Castelo Cernado/Comenda mas que acaba por ser a santa de eleição da aldeia. É à sua volta, aliás, que todos os anos, no início de setembro, acontece uma romaria que já não é o que foi mas que continua a ser uma referência não apenas local.

Como se sabe, somos "estrangeiros", só cá estamos há cinco anos e não temos qualquer veleidade em fazer de qualquer nossa consideração tese sobre a festa em honra de Nossa Senhora das Necessidades. Deixamos isso para alguns doutores, caso estes consigam disponibilizar o seu preciso tempo.

Mas tal nos impede de juntar a síntese depoimentos aqui recolhidos para referir que se é verdade que, há mais de cem anos, o Vale do Grou foi abandonado como lugar parcamente povoado, o santuário manteve-se funcional, embora lhe tenham roubado os sinos e os serafins - e por essa razão a imagem da santa só ali regressa, desde a igreja paroquial da Comenda, na festa.

Não sendo um santuário mariano nacional - tal, como por aqui, a Senhora da Pena (Castelo Branco e Castelo de Vide), a Senhora do Almurtão (Idanha a Nova), a Senhora dos Remédios (Sertã e Ponte de Sor), a Senhora de Mércules (Castelo Branco), a Senhora da Estrela (Marvão) e a Senhora da Flor da Rosa -, o santuário de Nossa Senhora das Necessidades nos seus anos dourados (meados do século XX) foi ponto central de uma grande romaria e de uma grande feira, tal como terá acontecido em tempos ainda mais recuados. Negociantes de gado e de produtos agrícolas, comerciantes de toda a índole, gentes até da Beira Baixa, aqui vinham e por aqui estavam vários dias. O coração da aldeia de Castelo Cernado nessa altura palpitava no Vale do Grou, onde iam dar todos os caminhos a  propósito de um dos muitos cultos marianos que proliferaram sobretudo na Idade Moderna. A pequena feira que em dia de procissão hoje ali se junta é apenas uma amostra das grandes feiras que ali aconteceram.


Apesar de tudo, a festa religiosa resiste a popular não tem perdido gás sob a organização da Associação Desportiva IFAL Comenda. Está aí o cartaz a provar isto mesmo sobre uma festa que agora se faz ali mas que já teve como palco outro local da aldeia.