A ponte que estão a ver já devia estar feita, ligando Montalvão, no concelho de Nisa, a Cedillo, já em terras da Estremadura espanhola. Não está porque Lisboa não se preocupa muito com estas coisas do interior profundo e também porque 400 metros quadrados de terreno, onde vivem morcegos ou quejandos, têm sido obstáculo para esta obra que o Alto Alentejo reclama há muitos anos.
Perto do local desta ponte existe, na interção do Sever com o Tejo, uma barragem da Iberdola. Onde esta empresa apenas concede passagem em veículos ao fim de semana, nos anos bons. A parede da barragem é uma ponte mas a Iberdola entende que estão em causa estruturas críticas e manda, apesar da parede da barragem estar toda em território português. O que fizeram as autoridades portuguesas todos estes anos? Assobiaram para o ar.
Hoje, Montalvão é uma aldeia com cerca de uma centena de habitantes, num dos extremos do concelho de Nisa, depois de perder uma ligação ancestral, que se fazia por barca, com o lado espanhol. Do outro lado do Tejo, já na Beira Baixa, Portugal apenas tem direito a espreitar Espanha e a ponte mais próximo fica em Alcântara, mais de 50 quilómetros depois da barragem de Cedillo. A malta do Monte do Fidalgo vai continuar, portanto, a ter de dar uma grande volta para ir a Espanha.
Quando se fala em acessibilidades para o Portugal profundo, nunca acreditem. Lembrem-se sempre do que está a acontecer aqui, por onde agora passou mais um político e ainda teve direito a uma bilha.

