O Festival do Crato está entre os maiores festivais e ali continua mesmo depois da explosão de eventos do género. Ontem foi o dia zero de mais uma edição com uma réplica de K-Pop (por módicos 25 mil euros) e uma de Gypsis Kings. Mas até a replicar o Crato dá cartas enquanto à sua volta todos tentam copiar mas sempre sem atingir este nível.
É certo que este é um festival também de milhões mas ao que parece o investimento do município hoje dirigido por Joaquim Diogo compensa.
Calum Scott, que não sei quem é mas de calhar porque não ligo a estas cenas, estará no último dia e a sua presença vale 108 mil euros, ou seja, a contratação de onze serviços de poda do arvoredo concelhio. É certo também que os 75 mil euros que os Calema vão receber também davam para pagar a seis cantoneiros mas Roma já deu uma lição que todos os políticos aprenderam: pão e circo nunca pode faltar. E no fundo a malta gosta disto...
Desta vez até tivemos direito a um gelado de tecolameco, inspirado no singular bolo do Crato que resulta de uma receita antiga, encontrada solitariamente num livro resgatado do castelo. É obra da Artisani, empresa com nove gelatarias em Lisboa e zero por aqui. Mas lá está: se não vêm até ao tecolameco, este vai até à capital, onde há muita gente que gosta de comer gelados (até com a testa).
Enquanto a barragem do Pisão continua barrada nos tribunais e a prometida autoestrada do Alto Alentejo ainda não justificou um "Tens um Minuto?" do ministro Pinto Luz, temos pela frente quatro dias de festival com muitos motivos para abanar o capacete, provar coisas boas e para ajudar os artesãos que vão sobrevivendo ligados à máquina. A vida tem uma dinâmica que está sempre para além da nossa compreensão.
Ah, ainda a propósito de gelados: os da imagem acima são de Portalegre e, embora apenas com sabores tradicionais disponíveis, recomendam-se sem que seja preciso pedir um empréstimo bancário.


