António Severino: "Enquanto aqui estiver tudo farei para emitir pareceres desfavoráveis a mais painéis solares"
"Enquanto aqui estiver farei tudo o que estiver ao meu alcance para emitir pareceres desfavoráveis a este tipo de investimentos". As palavras são de António Severino e foram ditas na última reunião de Câmara. Mais uma vez o presidente da Câmara Municipal de Gavião mostrou a sua determinação em travar mais projetos de instalação de painéis solares ou de torres eólicas no concelho. "São projetos que não favorecem a qualidade de vida da população e a gestão do nosso património", acrescentou a propósito do "chumbo" ao grande projeto da espanhola Endesa para a instalação de painéis e torre eólicos no nosso concelho, com grande impacto sobretudo nas freguesias de Comenda (painéis entre a Nacional 118 e a estrada para a Ferraria) e Margem (passagem de linhas elétricas de alta tensão).
O projeto solar de Atalaia e Concavada e Linhas Elétricas de Interligação (220 KV) via SE-Comenda e Cruzeiro já conheceu uma revisão após consulta pública e avaliação e tudo indica que a central prevista para o Vale do Homem não se irá concretizar. Mas o projeto em si está em marcha, com o único chumbo institucional da Câmara Municipal de Gavião, que de pouco servirá pois recentemente o governo determinou uma via de aceleração para este tipo de projetos de energias renováveis. A concretizar-se, será a terceira grande instalação de painéis solares no concelho de Gavião num momento em que a central da Margalha já está em produção e em que a do Polvorão permanece congelada no Tribunal Administrativo de Castelo Branco mas podendo avançar a qualquer momento, faltando saber se antes ou depois deste projeto da Endesa que envolve também uma grande área de painéis no Monte da Pedra (junto à estrada para o Crato, de ambos os lados).
A verde, na imagem de capa, pode obsercvar-se a zona de instalação de painéis entre a Nacional 118 e a estrada para a Ferraria (com forte penetração na herdade das Polvorosas também) e a roxo a área da central dita da Torre das Vargens que entra em cunha na freguesia de Margem, para além das linhas de passagem de energia em alta tensão. Os pontinhos assinalados são as torres de energia eólica previstas, torres cujo um dos limites fica mesmo em cima da zona da Amieira Cova.
O projeto dito da Atalaia mas quase todo a instalar na freguesia de Comenda prevê 15 postos de transformação e uma subestação para servirem mais um mar de painéis solares, com uma conclusão prevista de um ano após início de obra.
Na área dos painéis há 64% de floresta de sobreiros, 10% de pinheiro manso e 6% de eucaliptos, sendo o restante olival e pastagens.
O funcionamento das centrais da Atalaia e da Concavada irá permitir uma produção anual de 215,7 GWh de energia.
Aquando do período de consulta pública, pronunciaram-se sobre estes projetos a Câmara Municipal do Crato, a Associação Morcegos.PT, o Centro Pinus, a Zero, a Associação de Indústrias de Base Florestal, a Vulture Fundation e três cidadãos em nome individual. A Câmara do Crato apontou impactos significativos e elencou uma série de medidas de mitigação e a Zero, só para dar mais um exemplo, considerou que não estão reunidas as condições para que este projeto seja aprovado, emitindo parece desfavorável". Dos três cidadãos que se pronunciaram, dois discordaram do projeto e um concordou.
De notar que a Câmara Municipal de Gavião continua sob forte pressão de várias empresas de produção de energia renovável com projetos para o concelho. Não são dois ou três - são mais.
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