Na resposta ao repto lançado por António Estevinha, o presidente da Câmara de Gavião fez, na última assembleia municipal, um ponto da situação sobre os prometidos apoios governamentais para os prejuízos causados pelas tempestades e cheias no concelho de Gavião.
António Severino deixou uma nota de lamento pelo comportamente do governo na resposta à situação, "ao contrário do que aconteceu em 2018", aqui na resposta aos incêndios. Mas, tal como disse, "não há volta a dar" e esperar pelo pacote financeiro prometido para um concelho que entrou no grupo dos concelhos em situação de calamidade (entrou de calçadeira mas entrou).
De qualquer maneira, através do Turismo do Ribatejo e Alentejo parecem estar garantidos 400 mil euros para a recuperação do Alamal, começando pela substituição do bar/restaurante por três contendores, pela reposição de areia e reparação de outros estruturas da praia e pela remodelação da pousada. É uma verba curta e que naturalmente não envolve a reparação do passadiço até à ponte, que deverá permanecer encerrado esta época balnear. O presidente da Câmara de Gavião confessou "uma preocupação tremenda" com esta situação.
Esta assembleia serviu também para aprovar a prestação de contas relativas ao exercício de 2025, com os eleitos do PS a votarem a favor tal como a eleita da CDU e os eleitos do PSD a optarem pela abstenção.
António Severino voltou a sublinhar a "forte dependência" financeira da Câmara dos fundos governamentais e revelou que a autarquia tem hoje 141 funcionários com um grupo maior com uma média de idades entre os 45 e os 54 anos. O resultado líquido foi negativo em 1,6 milhões de euros, fruto de depreciações, amortizações e de 225 mil euros injetados na Águas do Alto Alentejo.
Filipe Tibúrcio falou de processo judicial de 78 milhões de euros sobre a Câmara
Filipe Tibúrcio, nesta assembleia porta-voz do grupo do PSD, fez uma longa exposição, relevando que a auditoria às contas do municípios em 2025 "apresenta um conjunto de reservas que afetam a fiabilidade da informação financeira e a transparência da gestão municipal", destacando a identificação de "problemas graves na valorização e salvaguarda de ativos", o que impediun a validalação de 180 mil euros.
Este eleito do PSD, que concorreu à presidência da União das Freguesias de Gavião e Atalaia (e aí conseguiu apenas menos 5 votos que o seu partido na votação concelhia) mas optou por sentar-se na Assembleia Municipal, salientou também o valor de cerca de 822 mil "que permanece sem identificação adequada e sem transferência para ativo concluído". Também foi seu foco o montante de 1,6 milhões de euros de subsídios ao investimento, que diz continuarem "sem ligação clara aos ativos financiados". Filipe Tibúrcio mostrou-se ainda preocupados com o facto de não saber se o município entregou património em excesso à Águas do Alto Alentejo.
Continuando, disse também que não existem "procedimentos de controlo adqueados sobre a cobrança dos resíduos sólidos urbanos" e, por fim, referiu a existência "de processo judiciais relevantes, um deles "com um valor associado de 78 milhões de euros".
Na resposta, António Severino disse que a auditoria "tem algumas ressalvas" enquanto a diretora da divisão financeira, Sandra Simões, deixou um "podemos melhorar". Com Filipe Tibúrcio a acrescentar: "Espero que o ano de 2026 seja mais concreto e afirmativo".
A Câmara Municipal de Gavião vai mudar este ano de revisor oficial de contas.
