Gavião avança para 2026 com um orçamento praticamente igual ao do ano que findou (11,09 milhões de euros) e com o objetivo, definido por António Severino, de melhorar a prestação de serviços, fazer subir a oferta turística e cultural, aperfeiçoar os espaços públicos e de conseguir captar investidores de forma a aumentar a oportunidade de empregos. O novo executivo municipal está consciente da necessidade de ativar o setor industrial mas continua focado em manter altos os padrões de assistência e acompanhamento dos diversos setores etários da população e das associações locais, muitas delas a fogueira que mantém acesa a vida comunitária.
O novo executivo arranca também com a certeza de que é necessário fazer algo por algumas das mais de 30 povoações do concelho que correm riscos de desertificação, como acontece nos Outeiros, em Vilar da Mó, Vale Coelho e Furtado, na margem direita do Tejo, ou Amieira Cova e Degracia, na outra margem.
A criação de um novo loteamento urbano em Gavião é também uma prioridade, agora que finalmente o loteamento do Calvário está todo vendido, embora ali ainda falte construir num número significativo de lotes. Na vila de Gavião está identificado um défice habitacional e o novo loteamento, a surgir na zona do caminho velho, atrás do depósito de água de Gavião, irá surgir como uma oportunidade para a compra de lotes de 500 metros quadrados para nova construção destinada a residentes ou a quem aqui se queira fixar ou ter uma segunda casa. A político de habitação da equipa de Severino vai passar também pela reabilitação de seis casas já adquiridas destinadas a arrendamento acessível e finalmente a autarquia irá intervir nas casas que tem no Bairro Tropa, em Belver, faltando saber o destino que lhes vai dar.
A criação de dois novos parques industriais, em Domingos da Vinha e na Atalaia, parece ser, por outro lado, propósito imediato do executivo, com António Severino a pretender aproveitar o trabalho que foi feito, nomeadamente ao nível da legalização de terrenos, quando surgiu a possibilidade de nascer uma plataforma logística em Domingos da Vinha, junto à A23. Severino acredita que há ali potencial para a criação talvez da maior zona industrial de Gavião, faltando agora avançar com o projeto e atrair investidores, trabalho que já está a ser feito. No caso da Atalaia, o investidor está identificado, faltando agora resolver alguns problemas que entretanto adiaram a instação de uma unidade fabril na área dos alumínios. Quanto à zona industrial da Comenda, um flop confirmado, não tem havido notícias e provavelmente a próxima notícia será a sua transformação num loteamento urbano, dizemos nós, bem entendido.
Reabilitação do Largo dr. Alves Costa e forno comunitário para a Comenda
Para a Comenda, a reabilitação do largo Dr. Alves Costa volta a estar em agenda e vamos ver se é desta que acontece, não transitando para o próximo orçamento. Este é um largo emblemático da Comenda e que representava não há muitos anos uma segunda centralidade da aldeia e onde urge intervir sobretudo ao nível das casas de banho público, que se encontram em mau estado e que talvez possam ser deslocadas para outro lado. Ao que parece, a "coisa" está a andar, pelo menos ao nível dos estudos, o que já não é mau sinal.
O lançamento do concurso para a construção de um forno comunitário na Comenda, na rua do Vale da Feiteira, num lote municipal, é outro projeto que está na mira e prometido para arrancar no início do ano já em curso.
Melhorar o Campo do Salgueirinho, que vai metendo água sob a bancada e precisa de um novo tapete, é também intenção.
É preocupação da autarquia também o estado da muralha do Castelo de Belver, único monumento nacional do concelho que o Estado central entregou há alguns anos à Câmara Municipal mas, como costuma acontecer na transferência de competências, sem um pacote financeiro. A Câmara de Gavião, aliás, já está a avançar às suas custas com uma obra de requalificação da zona da receção do castelo, uma obra que não será propriamente barata. Como disse António Severino, este processo de transferência de competências foi "uma ratoeira", com a autarquia hoje a tentar que a direção-geral do Património ponha fichas na reabilitação da muralha.
Dois parques de autocaravanas em Belver e Comenda
É também propósito do novo executivo aumentar a rede de parques de autocaravanas, estando um desses projetos apontado para a Ribeira da Venda e outro para Belver, este último no alfoz da histórica vila.
Mas, como sublinhou António Severino, a autarquia "não tem uma varinha mágica" e, acrescentamos nós, não encontrou qualquer filão aurífero no concelho. O seu orçamento é um dos mais baixos dos municípios do Alto Alentejo e as candidaturas ao PRR e a fundos nacionais são limitadas a obras específicas e por normal pesadas e que implicam muitas vezes encargos para o futuro, aconselhando-se prudência na hora de "agarrar" projetos que venham onerar um orçamento sempre curto e que só aumentará se a população crescer - e todos sabemos que a tendência não é essa.

