Nesta rua, com o nome do dr. Freitas Martins, um médico que fez história na Comenda, nos últimos três anos foram vendidos 11 imóveis de diversas tipologias. Quis o destino que fossemos nós a iniciar este "movimento" quando foi adquirida a antiga Casa da Sopa, propriedade que entretanto vendemos para transformar a antiga Taberna do Ti Albino na nossa casa, o que faz subir para 12 os movimentos imobiliários ocorridos.
Era por esta rua que noutros tempos se fazia o caminho para o Monte da Pedra e o Crato, de que resta a memória da placa indicativa, encostada precisamente à casa que foi do médico Freitas Martins.
Entre as onze casas vendidas contam-se o edifício da antiga Casa do Povo e o edifício onde funcionou o mini mercado de João Gueifão mas também uma casa adquirida pela Câmara Municipal de Gavião para o programa de rendas acessíveis.
Das casas adquiridas, tanto quanto sabemos, só duas são de residência permanente, todas as outras são segundas residências. Ou seja, dois casos de famílias que aqui fixaram residências e os outros de famílias que também vêm contribuir, sazoalmente, para a economia local.
Uma curiosidade: dois desses imóveis foram comprados por pessoas de Matosinhos.
Estes 200 metros da rua dr. Freitas Martins são, por isso, um caso de estudo de como num curto espaço de tempo uma rua com casas sem ocupação é transformada numa rua com vida. E reparem que para que tal acontecesse a intervenção do Estado foi mínima, tudo aconteceu graças à iniciativa privada, em efeito de dominó.
São muitos os teóricos do tema da Habitação mas provavelmente este é um caso que não lhes interessa, não vá a teoria implodir e perder-se espaço e financiamento para dissertações sobre o problema da habitação.
Tenha-se em conta também quanto o Estado, de braços cruzados, encaixou em impostos com todos estes movimentos imobiliários enquanto os privados recuperavam e requalificavam edificado com IVA a 23% e dando trabalho sobretudo a construtores locais.
O que aconteceu também vem demonstrar como a Comenda é uma aldeia atrativa, com uma centralidade única pois está a 18 quilómetros da sede do concelho de Gavião e a outros tantos das sedes do concelho de Nisa e do Crato, ficando a 40 quilómetros da capital de distrito (Portalegre) e a outros tantos da fronteira com Espanha.

