Completa-se hoje um ano desde a eleição de António Severino como presidente da Câmara Municipal de Gavião, sucedendo a José Pio, de quem foi vice-presidente durante 12 anos.
O Tó ou Tó Manel, antigo membro da Banda Juvenil de Gavião, onde tocava bombardino, transformou-se no presidente Severino, após uma campanha eleitoral fortíssima, de grande mobilização e que atingiu todos os alvos: a eleição do presidente da Câmara com maioria absoluta, a eleição de quatro em cinco vereadores (em vez dos três do mandato anterior) e a recuperação da Junta de Freguesia de Comenda.
António Severino mostrou logo na campanha eleitoral ao que ia, ou seja, que estava no terreno não apenas para prosseguir um trabalho que desde que há eleições democráticas tem sido a assinatura do Partido Socialista mas também para imprimir a sua marca. O segundo melhor resultado socialista de sempre em Gavião mostrou logo isso, com a equipa de Severino a garantir 64,71% dos votos, o 4.º melhor resultado do PS no continente e o segundo melhor de sempre em Gavião (em 1994, João Galinha Barreto foi eleito com 67,83% dos votos).
Ao tomar posse, no dia 26 de outubro de 2025, António Severino prometeu "proximidade com afeto".
Um ano depois, que balanço pode ser feito?
A intempérie do final de janeiro/início de fevereiro desde logo se destaca como a grande prova de fogo do executivo liderado por António Severino. Foram pesados os prejuízos no Alamal e nos passadiços e a resposta da Câmara foi primeiro de expetativa e sem perder muito mais tempo de ação junto do poder central. Gavião fez tudo para integrar a lista dos concelhos com prioridade nos financiamentos, até chegou a ficar de fora mas depois acabou por entrar.
Mas...a máquina governamental é por norma lenta, sobretudo na hora de dispensar dinheiro para as autarquias. E foi só através de um financiamento do Turismo de Portugal que se arranjaram alguns "trocos" para pôr a praia fluvial do Alamal a funcionar, embora já para além do início da época balnear. A Câmara de Gavião não quis perder a época balnear e também avançou com "pastel" para a reparação da ponte entre o Vale do Gato e o Vale da Madeira. Ou seja, foi reativa, não ficou à espera de milagres.
Mas também mostrou capacidade para trazer até Gavião quem tem as chaves dos cofres, como aconteceu a 8 de agosto com a presença no Alamal do Ministro da Coesão Territorial, Castro Neves.
Com isto, não estamos a querer dizer que o novo executivo descobriu a pólvora pois nos mandatos de José Pio já havia rumo definido no sentido de não esperar e de atuar. Apenas se reforça que Severino, que herdou uma Câmara com uma situaçao financeira robusta (3 milhões de euros de caixa!), manteve e provavelmente até terá reforçado essa política que não passa pela lógica dos coitadinhos e pequeninos que têm de ficar sempre em lista de espera. O filme, como se sabe, ainda não acabou e falta saber se o Governo promete o que cumpriu ou se veio apenas ao Alamal ver o presidente da CCDR Alentejo atravessar o Tejo a nado.
À procura da primeira grande obra
No mais, o executivo liderado por António Severino tem conseguido manter a situação financeira herdada e prepara-se para terminar o ano com a oferta de um seguro de saúde aos gavionenses, isto num momento em que a saúde por cá continua a ser um problema mas melhorou desde que se enveredou pelo modelo da teleconsulta.
Um ano passou também sem que o atual executivo conseguisse pôr a funcionar o Centro Interpretativo de Percursos Pedestres e Centro BTT da Atalaia - inaugurado em setembro do ano passado - e sem o arranque de qualquer grande obra de monta, isto enquanto encerrava, na Comenda, a única escola que funcionava fora da sede dos agrupamento escolar.
Os últimos quatro anos da liderança de José Pio foram muito desafiantes, com muita obra concretizada (eco laguna, museu de atrelagem...) e António Severino certamente também quererá deixar aqui a sua marca. Mas teoricamente ainda tem 11 anos pela frente...
De mão fechada mas mente aberta
Dá para perceber também que a nova gerência tem "mão fechada" e que não está disposta a esbanjar financiamentos e que sobretudo está empenhada em aumentar a parca receita. Pode estar aí uma surpresa menos agradável, aguardemos pelo orçamento para 2027...também para vermos se é desta que as juntas de freguesia passam a ter mais dinheiro e recursos para governar.
Também já deu para perceber que o executivo está atento ao que se passa nas freguesias. Como aconteceu quando promoveu o milagre de fazer desaparecer do centro da Comenda o ferro-velho que ali estava há 15 anos...
Contas feitas, foi um ano positivo, de muito trabalho para quem não se limitou a sentar-se na cadeira de sonho. O presidente da Câmara de Gavião tem apenas 46 anos e muita energia e está a conseguir também afirmar-se a nível distrital, de que é prova a sua presença na administração da controversa Águas do Alto Alentejo. Tendo-se visto também já Gavião a alargar os seus interesses na Beira Baixa. Ou seja, com um política que não olha para o umbigo.
A Severino e seus pares só faltará mesmo uma oposição mas nunca será fácil para quem está do outro lado num concelho com estas caraterísticas e um histórico de domínio avassalador de uma cor política.



