Há muito trabalho ainda por fazer para um levantamento dos sítios arqueológicos do concelho de Gavião. Dir-se-ia que estamos no grau 2 de uma escala de 20.
Temos sítios que mereciam bem um estudo aprofundado e referências precisas. É o caso desta pequena ponte na ribeira de Alvisquer, entre esta última aldeia e a vila de Belver. Uma ponte de dois arcos e que hoje está praticamente escondida pela vegetação.
Conseguem vê-la?
Agora sim, nesta imagem disponível na internet, num momento em que os seus dois arcos estavam perfeitamente visíveis. Atente-se no aparelho mais ou menos perfeito da arcatura.
E também na conservação das guardas, com pedra aparelhada.
Este é o caminho que se segue após a ponte, no sentido de quem vem da estrada municipal. Como se percebe, ladeado por possantes muros. Podemos estar perante aqui um daqueles casos de desmontagem de um sítio, com a pedra das construções a servir para os muros. Há casos assim em alguns sítios romanos do território português, onde o aparelho dos edifícios de época antiga foi utilizado para a construção das casas de uma aldeia ali perto, de muros, palheiros e até igrejas. No sítio de S. Pedro, em Cabeço de Vice, e em Vale do Mouro, na Coriscada (Meda), foi assim.
Ou seja, estamos perante um sítio muito interessante do ponto de vista arqueológico, a merecer trabalhos de fundo. E também um sítio com a sua beleza a poder atraiar quem nos visita, isto caso a vegetação seja cortada junto à ponte.
Sabemos que a arqueologia não é uma urgência mas se calhar com um pouco menos de frango assado podia aqui fazer-se algum trabalho, tanto mais que Gavião é um concelho que aposta no turismo e para o turismo nada há de melhor que o património.




