Linha da Beira Baixa com prejuízos de 7 milhões de euros e longa interrupção pela frente

 


Vai ter um custo de sete milhões de euros a recuperação da Linha da Beira Baixa entre as estações de Belver e Sarnadas de Ródão, para reparação dos taludes e aquedutos que foram afetados pelas tempestades.

As obras estão em fase de concurso até 2 de maio e terão um prazo de conclusão de 1050 dias, praticamente três anos. A informação foi publicada em "Diário da República".

Ou seja, podemos estar perante uma interrupção da linha durante um longo período, o que afeta seriamente o sistema de transportes do nosso território. A CP não deu qualquer estimativa sobre este facto.

Ao dia de hoje, a CP apenas tem o serviço regional ativo entre o Entroncamento e Mouriscas e entre Castelo Branco e a Guarda. O serviço de intercidades, esse, só funciona entre Lisboa e o Entroncamento.


Como se sabe, a linha foi fortemente afetada entre Belver e a Amieira do Tejo, sensivelmente na zona dos Outeiros, devido a um deslizamento de terras que pôs em causa a estabilidade dos carris. Mas está visto que este não é o único problema de uma linha que nos anos recentes justificou o investimento de quase um milhão de euros nos túneis do Outeiro e um pesado encargo também na regularização de um aqueduto (imagem de capa) em frente ao Alamal.


A CP tem assegurado serviço de transbordo de autocarros em Belver.

A Câmara de Gavião entretanto solicitou à Infraestruturas de Portugal que prolongasse o serviço regional até Belver mas não houve qualquer resposta a esse pedido.

Num primeiro momento após a interrupção da circulação, a Infraestruturas de Portugal estimou em seis meses a reparação dos estragos no Outeiro, de forma a repor a circulação. Não se sabe se mantém esta expetativa.

Aqui fica também o comentário de Jorge Martins, antigo presidente da Câmara Municipal de Gavião, a esta situação:

"Em consequência das intempéries recentes e do deslizamento de terras entre Belver e a Barca da Amieira na Linha da Beira Baixa , a CP garantiu um serviço rodoviário de substituição que não é eficaz. 

Podendo ser melhorado com as seguintes alterações:

- o serviço ferroviário ter o seu início/fim na Estação da CP de Belver, em vez de ocorrer em Estação Mouriscas A.  Reduz despesas para a CP pois encurta o itinerário rodoviário atual, eliminando as deslocações às Estações de Alvega/Ortiga e Barragem de Belver, que passariam a ser servidas pelo comboio. 

- utilizar no serviço rodoviário um autocarro com menor lotação, pois nas duas vezes que utilizei o serviço o número de passageiros nunca excedeu as vinte (20)pessoas.

Mas sublinhe-se que o investimento na recuperação da Linha da Beira Baixa é de aplaudir pois incide num dos troços mais bonitos da ferrovia portuguesa."