Está feito um primeiro balanço da consequência dos efeitos de quatro tempestades consecutivas em apenas 11 dias que afetaram todo o país, com mais ou menos intensidade, e que no concelho de Gavião também provocaram um grau significativo de destruição.
Esta quinta-feira, a Proteção Civil de Gavião, coordenada por Bruno Marques, também segundo comandante do CODIS de Portalegre, precisou o filme dos acontecimentos, mais uma vez revelando uma resposta rápida, tal como aconteceu quando foi chamada a intervir durante os dias críticos.
António Severino convidou o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, para vir a Gavião conhecer o que aconteceu, a mensagem foi transmitida e veremos agora se pelo menos o Turismo de Portugal aloca verbas para ajudar os operadores turísticos afetados, ou seja, o bar/restaurante do Alamal, a pousada e o Gavião Nature Village.
Os responsáveis por estes serviços estiveram presentes na reunião para reportar precisamente os prejuízo, com a autarquia a reportar 1,7 milhões de prejuízos nas estruturas da sua competência - bar/restaurante, pousada, pavilhão gimnodesportivo, incubadora de empresas, estradas...
Os danos são severos e múltiplos, com enfoque para a destrução de 70% dos passadiço de mais um quilómetro do PR8 e de 60% do passadiço do Alamal, sendo que neste último há danos no que o rio não levou.
Na manhã de 5 de fevereiro, a Proteção Civil de Gavião foi chamada para retirar da pousada dois hóspedes, o que aconteceu às 8 horas. O casal de hóspedes contou que pelas 7 horas percebeu que a água estava a chegar ao carro que tinha estacionado - e que ali ficou até ao nível da água descer -, tendo decidido na altura voltar para o quarto. Mas foi nessa altura que o nível do Tejo galopou cerca de 4 metros acima do seu nível mais alto. A Proteção Civil retirou ainda dois moradores da praia do Alamal, na casa senhorial contígua ao Alamal River Clube.
No Alamal River Club, conforme reportou a sua responsável, há prejuízos na ordem dos 180 mil euros, ao nível de equipamento e mobiliário que se encontrava no rés do chão. Uma situação que impede o funcionamento desta pousada concessionada pela Câmara de Gavião e que vem interromper, segundo a sua responsável, um ciclo de três anos de crescimento médio de 15% daquele equipamento que já esteve sob gestão do INATEL. Em causa estão também quatro postos de trabalho.
"Compreendemos que o país está devastado mas temos de resolver os nossos problemas e por isso mesmo é que pretendemos que passemos a ser também um concelho em estado de calamidade", referiu o presidente da Câmara de Gavião, que tem feito várias diligências a nível governamental para que tal possa vir a ser uma realidade.
Quanto ao bar/restaurante, Carlos Marques disse que os prejuízos "estão à vista de todos" e que espera que tudo possa ser resolvido rapidamente "para levarmos a nossa vida para a frente". Note-se que a Câmara Municipal de Gavião decidiu não cobrar rendas aos concessionários da pousada e do bar durante este período, 225 euros por mês da pousada e 90 do bar durante a época baixa.
No Gavião Nature Village, disse o seu proprietário que ali trabalham 26 pessoas e que o prejuízo está na ordem dos 150 mil euros, como consequência de danos em cobertura, infiltrações e seis tendas com as suas janelas panorâmicas afetadas, entre outros. Deixando ficar a nota de que seria importante um reforço de tesouraria destes equipamentos que são emblemáticos no turismo de Gavião.
José Manuel Santos mostrou-se muito recetivo e colocou a situação de Gavião ao nível das situações em Alcácer e Grândola. Para o presidente da Entidade Regional de Turismo, impõe-se uma linha de apoio financeiro a fundo perdido para apoio às empresas e autarquias nas suas estruturas turísticas, embora sinta que o governo "está temeroso" na aplicação de linhas a fundo perdido. José Manuel Santos recordou que no ano passado foi com esta modalidade que se fez a recuperação do PR 5 de Nisa.
"Queremos rapidez e agilização nos processos e iremos fazer tudo para voltar à normalidade", rematou António Severino.







