Águas do Alto Alentejo campeã das entidades nacionais com resultados económicos mais fracos


Houve um momento em Portugal em que ocorreu a epifania de desmontar serviços municipalizados e de água e saneamento em nome de uma maior eficácia e da redução de custos municipais com a entrega do negócio à iniciativa privada. Não vamos discutir o mérito desta estratégia, vamos apenas olhar para os resultados de uma das mais recentes empresas intermunicipais - a Águas do Alto Alentejo, detida por dez dos 15 município do Alto Alentejo. Não é uma empresa privada (por ora) mas representa também o que foi a fragmentação por aqui dos serviços municipalizados.


O último resultado do Anuário dos Município Portugueses, referentes ao ano de 2024, é claro ao apontar esta empresa intermunicipal como, de longe, a entidade com mais fraco resultado ecenómico: menos 2,2 milhões de euros em 2024. no seu segundo ano e meio de operação plena.

É certo que a AAA está ainda a dar os seus primeiros passos e é sabido também que herdou uma rede de distribuição de água decrépita e que é alvo de reparações permanentes. Mas não deixa de ser de certo modo preocupante este prejuízo que naturalmente tem de ser coberto pelos municípios, em contraste, por exemplo, com a empresa Águas do Porto, que apresentou um saldo positivo de 4.9 milhões de euros. Mas é sempre exagerada a comparação entre municípios de grande e pequena dimensão...

Já aqui falamos de serviços municipalizados e a verdade é que não conseguiram acabar com todos. Este mesmo anuário da associação dos contabilistas diz-nos também que o SIMAS de Oeiras e Amadora teve em 2024 um resultado positivo de 4,5 milhões de euros e que em contraste o SMAT de Portalegre teve um resultado negativo de 289 mil euros, depois de dois anos de resultados positivos.

Para refletir.