Há figuras que marcam a História de um território. Aconteceu com o professor Manuel Alves de Jesus Gravelho, simplesmente o Professor Gravelho, hoje com o seu nome numa sala da Biblioteca Municipal de Gavião, precisamente na antiga ala masculina daquele edifício que foi escola.
[As notas que retiramos resultam do livro de João Manuel Alves Florindo, editado aquando a homenagem feita ao professor Gravelho na Atalaia, em 2015].
Nascido a 11 de abril de 1915, em Gavião, o professor Gravelho atravessou todo o século XX fazendo-se notar.
Com 21 anos, tinha concluído o curso do magistério primário, em Coimbra. Antes de começar a dar aulas, trabalhou na Repartição de Finanças de Gavião e só em 1938 foi destacado como professor agregado para a escola da Torre Fundeira, passando depois a lecionar em Vila Boim, Elvas, o que fez durante cinco anos.
Em janeiro de 1945, estava a terminar a II Guerra Mundial, foi nomeado professor definitivo na freguesia da Amieira do Tejo, mais perto de casa, portanto. Aí esteve dois anos, seguindo-se mais de sete anos na escola da Atalaia. Foi um dos grandes impulsionadores da construção daquela escola numa aldeia cujo ensino primário até aí funcionou em casas alugadas.
A vida política também fez parte do seu percurso - e durante 37 anos. Manuel Gravelho é várias vezes vereador, assumindo também a presidência do Grémio da Lavoura. Em julho de 1972, é nomeado presidente da Câmara de Gavião, sendo exonerado a seu pedido pouco depois do 25 de abril de 1974.
Um professor que não foi apenas mais um na vida de muitos alunos que ainda hoje recordam a personalidade de quem tanto pode ser definido como "disciplinador" e "brincalhão". Bem vistas as coisas, tudo tem o seu tempo e espaço.
Manuel Gravelho morreu em maio de 2021, com 106 anos.
