Águas do Alto Alentejo apresenta resultados e prevê futuro sustentável

 


Esta sexta-feira, no cine teatro de Alter do Chão, a Águas do Alto Alentejo promoveu um fórum que serviu para apresentar resultados, obra e também para perspetivar o que aí vem.


Empresa constituída por dez municípios do Alto Alentejo, entre os quais Gavião, a AAA tem como diretor o engenheiro Rui Choças, a quem coube as "despesas" principais do encontro que juntou autarcas de quase todos os dez municípios envolvidos na operação desta empresa intermunicipal que tem como presidente do conselho de administração Rogério Alves, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor. Tenha-se em conta, como foi frisado, que os cargos da administração não são remunerados. O fórum contou também com a presença de António Severino, presidente da Câmara de Gavião, do vice-presidente Júlio Catarino, do vereador Fernando Delgado e de Nuno Gravelho, membro do grupo do PS na Assembleia Municipal de Gavião.


Desde que está em operação, no final de 2022, a AAA já foi capaz de captar 8 milhões de euros de fundos comunitários, situação que os municípios por si não poderiam alcançar por força da lei. Nestes três anos de operação, apenas uma vez as tarifas da água foram aumentadas, também foi sublinhado.

As boas vindas do encontro foram dadas por Francisco Miranda, presidente da Câmara de Alter do Chão, seguindo-se uma intervenção de Rogério Alves e a seguir a de Rui Choças. O momento foi completado pela apresentação do projeto de eficiência hídrica que está a ser desenvolvido na AAA pela INDAQUA, cabendo essa intervenção a Paulo Nunes, diretor de projetos desta empresa. Vera Eiró, presidente do conselho de administração da ERSAR, encerrou o fórum.


Numa síntese da atividade da AAA, Rui Choças falou de "números grandiosos" e destacou que passa pelas condutas da empresa "se calhar um Alquevazinho". A AAA gere 1.103 quilómetros de rede num território de 4 mil metros quadrados, tendo sob a sua alçada 128 depósitos e 53 pontos de captação, sendo que o grande volume de água para consumo é fornecido pela Águas do Vale do Tejo.




Em 2025, a AAA executou mais de 113 mil serviços e atendeu mais de 155 mil chamadas no serviço a quase 40 mil clientes, tendo ainda apoiado mais de 3.500 famílas através da aplicação da tarifa social (cerca de 500 mil euros de apoio). Atente-se também no volume de água de consumo e de água residual que foi tratada, conforme o gráfico.



É certo e sabido que a empresa está ainda longe de ter atingido o equilíbrio financeiro na sua operação, como resultou do "resgate" de 1,8 milhões pedido às autarquias no final do ano, de forma a evitar que, por via do código legal, a empresa tivesse de ser dissolvida. Mas Rui Choças tinha uma boa notícia para dar quando anunciou que o prejuízo calculado de 1,8 milhões de euros em 2025 poderá ser menor depois de acertadas as contas.


"A empresa está bem financeiramente? Não. Mas temos de ter em conta o alto volume de investimentos feito", referiu, alertando para o facto de no início de todos os anos a AAA ter de amortizar dois milhões de euros por conta de investimentos feitos pelas autarquias envolvidas antes do início de atividade da Águas do Alto Alentejo.




Desde 2023, conforme se verifica, a AAA não tem parado de fazer investimentos em todos os dez municípios envolvidos. Em Gavião, a amplicação da rede de esgotos de Torre Cimeira e Fundeira e empreitadas de controlo de redução de perdas.



Rui Choças fez também questão de afirmar que, ao contrário da perceção geral, as tarifas de água aplicadas estão abaixo da média regional e nacional, tal como fica explícito no gráfico acima. Com mil litros de água a custarem 64 cêntimos, muito menos que um café.




Numa sessão muito pedagógica, Rui Choças explicou também como pode ser lida uma fatura da água, ressalvando que em causa não está apenas o serviço de consumo de água mas também a componente do saneamento e dos resíduos (esta última receita das autarquias, que por sua vez pagam às empresas de recolha e tratamento do lixo).




Também em foco estiveram os resultados da aplicação nos últimos dois anos do projeto de eficiência de desempenho, que tem por objetivo reduzir drasticamente o volume de água comprada e não faturada, uma situação fruto de vários fatores: desde fugas nas condutas e depósitos, problemas nos contadores e até roubos de água ("rouba-se muita água no Alto Alentejo", desabafou Rui Choças). Note-se que em 2025 foram detetados e eliminados 102 ilícitos! Em dois anos, a equipa da INDAQUA já conseguiu fazer com que essa perda fosse reduzida de um pouco mais de 50% para 41% mas o objetivo em oito anos de contrato é muito mais ambicioso: 20% de perdas em 2030.




Vera Eiró, presidente da ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos) falou da atividade desta entidade fiscalizadora e da colaboração acima da média com que tem contado por parte da Águas do Alto Alentejo.