2025: o ano político da transição e do reforço socialista em Gavião

 


O ano que está a terminar foi um ano de transição em Gavião, com António Severino, após 12 anos como vice-presidente, a suceder a José Pio, impedido de recandidatar-se por excesso de mandatos. Pode dizer-se que foi uma transição natural e pacífica pois há 12 anos que o ex presidente da Câmara estava a preparar a sua sucessão.

José Pio deixa a autarquia com muita obra realizada e os cofres recheados. Não é para todos e o futuro falará pela história que foi feita.

Para o novo presidente da Câmara, que fez uma campanha eleitoral pujante, com energia, foco e empatia, fica agora o desafio de fazer melhor ou tanto como José Pio, tal como este partiu com o propósito de não ficar atrás da obra realizada, durante 19 anos, por Jorge Martins.

O poder socialista em Gavião tem mais de meio século e está fortemente alicerçado também nos trabalhos de Jaime Estorninho e João Galinha Barreto, pilares históricos de um partido que conseguiu, em outubro, o seu segundo melhor resultado de sempre em autárquicas. E Severino já conseguiu, sem dúvida, unir todas essas forças, se bem que na política, mesmo a este nível menos intenso, o que hoje é verdade...

O PS tem pela frente quatro anos de gestão tranquila, agora ainda mais forte pois "conquistou" a tal aldeia gaulesa, a Comenda, que teimava em por vezes ser CDU. Corre praticamente sozinho pois a oposição CDU desapareceu na Câmara, o CHEGA desapareceu nas juntas e o PSD é hoje uma força dividida e com a perspetiva de convulsões internas pela frente.

Vítor Filipe foi reeleito vereador mas perdeu 86 votos em relação a 2021, teve apenas mais 5 votos que Filipe Tibúrcio como candidato à União das Freguesias de Gavião e Atalaia e menos 145 que Fábio Gomes, candidato à Assembleia Municipal.


Nas freguesias, a renovação fez-se através da eleição de Ricardo Flores para a junta de Comenda e pela eleição de Paulo Ventura para a junta de Belver, onde este último concorreu praticamente sem oposição (a CDU só foi a jogo para marcar posição). Será na Comenda que o "novo" poder autárquico terá agora de meter algumas fichas, de modo a garantir, em 2029, uma vitória tranquila pois esta foi apenas por 18 votos.


Margem e a União das Freguesias de Gavião e Atalaia mantiveram maiorias confortáveis, com Jorge Peixeiro e Germano Porfírio, e esperam agora também pelos prometidos contratos interadministrativos do programa de Severino e que eventualmente irão garantir a todas as juntas outra capacidade de intervenção. De notar que nestas freguesias deu para perceber que o PSD tem apostas fortes e que tiveram resultados satisfatórios, o que deverá ser desde já um sinal de alerta...


O novo líder da Assembleia Municipal é António Estevinha e já deu para perceber que quer tentar manter viva a interação democrática no órgão autárquico mais alto, tentando mitigar o "poder absoluto" socialista, um poder que pode proporcionar tentações de "é tudo nosso" que não são boas nem para o próprio PS. Mas isto somos só nós a falar, atenção.


Na vereação, uma das caras novas é Martina de Jesus. A ex presidente da junta de freguesia de Belver e dirigente da ANAFRE chega à vereação com toda a sua experiência e certamente não tardará muito a surgir na primeira linha com ações relevantes.



Na vice-presidência, Júlio Churro Catarino foi escolha de longa data de António Severino e dele se espera que esteja para o presidente da Câmara como Severino esteve para José Pio.


Novidade na vereação é também Fernando Delgado, o comandante dos Bombeiros a quem chamam "Bob o construtor", uma das figuras mais consensuais do concelho e um homem com um percurso à prova de bala. Foi o quarto eleito mas acreditamos que tem tudo para ser um dos primeiros em muitas iniciativas. Um nome para reter.