Eugénia e Atílio

 


Uma das primeiras pessoas que conhecemos quando aqui chegamos no verão de 2021 foi Atílio Domingos, na Ribeira da Venda, onde marcamos encontro com o seu filho Ludgero para vermos uma casa que acabamos por alugar e que definiu o momento zero desta nossa vida a quase 300 quilómetros do mar de Leca da Palmeira. E também aí ficamos a conhecer a dona Eugénia, minha homónima e sem dúvida o grande suporte da vida sempre intensa de Atílio.

De então para cá, ficamos a conhecer a bonita história de amor que uniu este casal e o Vale da Feiteira com S. João da Madeira, curiosamente a terra do marido da minha sobrinha mais velha, a Inês, que ali constituiu família.

S. João da Madeira é terra de gente de trabalho e foram também os sapatos do trabalho que Atílio e Eugénia calçaram.

Costumo dizer que o nosso Atílio é o português dos Descobrimentos. Só homens com o seu engenho e a capacidade para se adaptarem a qualquer situação tornaram possível o sucesso de uma gesta impensável para um pequeno país que até dominou o longínquo estreito de Ormuz.

Nem sempre damos o devido valor a quem faz das tripas coração e que ousa mas entende-se pois o Atílio e a Eugénia não são exemplo num país de burocratas, preguiçosos, convencidos e dependentes.

Fica aqui também o registo do passar do tempo, na certeza de que o tempo não passa depressa e que o que passa depressa é o tempo que passou, como escreveu Vergílio Ferreira.

Sendo certo também que o cabelo que em 1974 estava impecável um dia pára de crescer...